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Sobre redução da maioridade penal

Enquanto uns questionam a idade, eu questiono a métrica.

Sócrates, o filósofo grego ou personagem de Platão, certa vez afirmou que a ignorância leva uma pessoa a prejudicar outras pessoas, ou que nenhum ser humano é mau por natureza, essência, mas por ignorância. Em contrapartida, o conhecimento liberta, leva a solidariedade, a virtude e a felicidade.

Somos o produto de uma sociedade, que é competitiva e desigual, uma sociedade que, conforme Marx disse, está em uma eterna disputa entre dois extremos de uma balança, que busca um equilibro e que, de forma prática, nunca será encontrado.
Posicionar-se sobre um tema tão complexo, não é simples. Na verdade só existe simplicidade para os ignorantes, para os demais, sobram as dúvidas. Para pensar sobre a redução da maioridade penal resolvi pensar no aumento da maioridade penal. Que bom seria se aumentássemos para 500 anos.

Por que o que é a maioridade penal? Na minha opinião é o momento em que a sociedade desistiu de você. Que acredita que não tem mais jeito, que você não será capaz de fazer o bem, de existir livremente entre seus pares sem que ofereça algum risco ao tênue equilíbrio social.

Na cadeia você é exposto ao pior, lá subtrai-se sua intimidade, sua liberdade, seu livre-arbítrio. A ideia é mostrar para você como é ruim ser punido, na esperança que o castigo te faça mudar. Claro que isso tudo é envolto em uma grande desfaçatez. Envolto em um discurso bonito, com algumas firulas que objetivam fazer com que a sociedade ache que algo está sendo feito pelos presos, de forma a diminuir o desconforto daqueles que com alguma consciência fazem parte dessa sociedade.

Justo! Merecido! Ninguém mandou ser violento, criminoso, bandido. Será que é tão simples assim? Quando tão em moda está o nome de Jesus, será que devemos esquecer o que ele disse para um dos ladrões que estavam sendo crucificados ao seu lado? “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.

Mas os menores têm uma chance. Em tese, os centros para menores são um pouco diferentes. Em tese eles servem para reeducar, re-socializar, re-adestrar os meninos, fazer com que eles aceitem que não tem, não tem, não tem e que outros têm e que isso faz parte de uma sociedade justa e equilibrada. A régua temporal é impiedosa. 18 anos e uma hora de vida tornam você uma pessoa suscetível de ser jogado ao sofrimento, enquanto com 17 anos, 11 meses e 20 dias você ainda tem alguma chance de recuperação.

Não sei se uma régua de tempo é um indicativo de algo. Não sei se podemos estragar a vida de qualquer pessoa, sem que antes, possamos entender os motivos e a história por trás daquele ato. Psicopatas existem, claro, mas qual o percentual deles no universo que temos? O melhor, acredito eu, é entender que somos seres humanos, que temos particularidades e que se for pra decidir quem tem, ou não, uma chance de se tornar alguém melhor, a métrica da idade não é justa. Sejam 18 ou 16 anos. Sugiro que busquemos outras, então.

“Há quatro características que um juiz deve possuir: escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente.” Sócrates.

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Valorizar para moralizar

Dante Alighieri, em um de seus Poemas disse: “Quem és tu que queres julgar, com vista que só alcança um palmo, coisas que estão a mil”. Essa citação me acompanha. Sempre que me meto a escrever, ou pensar, me vem à possibilidade de que minha visão seja apenas parcial, incompleta, insuficiente.

Entretanto acredito que visões incompletas, permitem uma análise detalhada do parcial. Permitem percepção das nuances. Dessa forma, vou ousar contribuir para um debate que promete, em breve, causar certa polemica. Antecipo-me, pois como bem disse nosso já citado Dante “sou um que escreve apenas quando me fala o amor e tenta relatar fielmente o que ele dita dentro de mim”.

Sem mais delongas, entremos na pauta: Regulação da mídia. Contextualizando: o governo pretende apresentar uma proposta de regulamentação da mídia, regulamentação econômica, não de conteúdo. Sou fã da coragem da Presidenta, esse tema é complexo, a mídia é um “poder” centralizado, historicamente, em algumas famílias. Fato objetivo, que se reflete em todo o posicionamento de uma classe média, dita esclarecida.

Acredito que é desnecessário apregoar o poder dos veículos, inclusive poder de incitar o ódio, de transmitir sensações irreais ou causar um efeito análogo ao que estudamos como efeito de massa, em teorias da comunicação. Posso tentar exemplificar, citando, por exemplo, a confiança em uma economia em colapso (como aconteceu nos Estados Unidos) ou a desestabilização de uma economia solida (como quase ocorreu no Brasil). Tudo recheado de disse me disse e dados de mentira. Não vou entrar no mérito, me dá preguiça.

Dessa forma, se torna factual o poder dos veículos, assim como é indiscutível veículos são concessões públicas (Rádio e TV, principalmente). O governo pode e deve criar mecanismos que torne a distribuição das concessões mais democrática. O poder da mídia faz com que a opinião de poucos seja transmitida, por osmose, a sociedade e contamina com uma verdade aquilo que deveria ser objeto de uma pluralidade de razões e sentimentos. “Não pode haver uma totalidade da comunicação. Como efeito, a comunicação seria a verdade se ela fosse total” Paul Ricoer.

O efeito da totalidade da comunicação resulta no que predisse Malcom X “os meios de comunicação te farão amar o opressor e odiar o oprimido”. Claro que estamos tratando de extremos, de conseqüências de um agravamento dos quadros atuais, e que a internet contribui de forma gigantesca para uma democratização da comunicação. Fatores que não tornam desnecessário uma busca por multiplicidade de veículos e opiniões.

É certo que uma redistribuição das freqüências, resultaria em maior variedade de opções. Ajudaria bastante em um processo de reinterpretar os novos paradigmas. Ajudaria a trazer mais porosidade ao sistema. Entretanto, entendo que esse caminho é longo e cheio de percalços, que os resultados não são garantidos e que é possível adotar algumas medidas práticas que aliadas a um caminho mais longo, possam trazer uma resposta breve a sociedade.

Na minha singela opinião uma das primeiras ações que deveria ser criteriosamente analisadas é a criação de um conselho de classe para jornalistas. Um conselho de classe seria valorizar e regulamentar a profissão. Não estou entrando no nhem, nhem, nhem do diploma. Estou afirmando que é necessária a valorização de um profissional ético e independente, não de um refém dos meios.

Poços comandam os veículos, mas os jornalistas são muitos e plurais. Enquanto muitos defendem golpes reacionários e a direita neo liberal outros manifestam apoio a um projeto de governo social. Muitos comunicadores se rebelaram e se manifestaram contra à campanha desleal empregada contra a Presidenta Dilma pelos meios de comunicação. Jornalistas respeitáveis não baixaram a cabeça e foram, inclusive, demitidos de veículos por divergências ideológicas. Jornalistas se empenharam em minimizar o impacto de denúncias fraudulentas ou tentaram promover a verdade sob os cortes cruéis dos editores.

A falta de um conselho, de fiscalização, e de responsabilização, do profissional resulta na opressão pelo meio. Certamente um órgão que cobre do jornalista uma postura independente e uma responsabilização dele pelos seus atos e por infrações ao código de ética iria ser, por si só, um fator de inibição para cobranças abusivas e impróprias dos veículos. A existência de um controle sobre o tipo do profissional que o meio contrata, impedindo e punido a contratação de profissionais sem registro, moralizaria o mercado e resultaria em menor rotatividade.

Um órgão de classe permitiria que os comunicadores a possibilidade de denunciar posturas antiéticas de veículos. Concederia ao profissional um suporte institucional, a certeza de estar sendo amparado e protegido contra abusos. Mais que isso um conselho daria animo para os profissionais, um reconhecimento que há muito esperam. O Jornalista é um órfão, submete-se ao meio em troca dos seus proventos e não obtém respaldo do sistema, sua profissão não é protegida pela necessidade de diploma, de prova ou de registro. Não existem muitas opções a não ser abraçar a linha editorial e torcer para que tudo de certo.

É certo que a resposta não é simples, ou que ações individuais sejam suficientes para mudar um complexo sistema, mas acredito que a valorização não é algo que seja apenas inerente a um diploma, mas a um respeito institucional, que permita, de fato que o jornalista seja o profissional que a sociedade almeja.

Tiago Nunes de Oliveira
Jornalista SRTE/SE 1846

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Quem me representa?

Confesso! Não sou muito bom em física. Alias a questão não é ser bom, é não saber fazer um “ó com um copo”. Em física sou no máximo um curioso, que se diverte ao comentar com os amigos noções superficiais da teoria do caos ou que se aventura a explicar para a esposa as teorias que permitem a dobra do espaço tempo, permitindo que a nave espacial de “stargate” possa se deslocar tão rapidamente. “o caminho mais rápido entre dois pontos é dobrar a folha de papel”.

Bem… Assim sou em economia. Não tenho embasamento acadêmico, apenas curiosidade de ouvir dizer. Nesses “andes e relances” percebi que existe uma relação direta entre a inflação e a taxa de juros. Percebi também, que nesta seara, ninguém sabe exatamente o que fazer – por mais que diga que sabe.

FHC, quando presidente, manteve os juros altos, a fim de manter a inflação sob controle, e Lula, depois dele, não ousou tanto, se espremia em um jogo de abaixa e levanta, tentando manter as coisas sobre certa previsibilidade.

Dilma quis ousar, foi um pouco mais tolerante, juros mais baixos, inflação um pouco mais alta, vamos ver no que dá. Durante essa campanha a tônica dos adversários foi entoar a necessidade de controlar a inflação, utilizando a taxa de juros. Claro que a conversa era assim: (grita) ”Temos que controlar a inflação” como? (sussurra) “aumentando a taxa de juros”.

Pois bem, subiram a taxa de juros. Foi só um pouquinho. Coisa de 0,25. O interessante é ver como as coisas são. Aqueles que deram a receita agora dizem que não gostam do bolo, coisas do Brasil.

Por falar em Brasil, vocês viram a primeira derrota de Dilma?

A câmara rejeita o decreto que institui a Política Nacional de Participação Popular. Participação Popular é grifo meu. Sob argumento que diminui o poder do congresso. Espera! Como assim?

Diz o Decreto: tem ”o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”.

A sociedade civil somos nós.

Então espera, diminui o poder do congresso porque envolve a sociedade civil??? Então a gente serve para eleger ele, mas não podemos nos meter nas decisões que ele toma?

Infelizmente, dirigimos nossa revolta para a instituição errada. Claro que o executivo tem que melhorar, muito. Só que, sinceramente, esse congresso só me decepciona.

Tiago Oliveira
SRTE/SE 1846

Foto externa do Congresso Nacional 22.11.03 Foto Reynaldo Stavale

Critica ao concurso público

Obs: Antes de começar se desarme e busque refletir sobre o texto a luz do interesse público, sob a perspectiva do que é melhor para a gestão e não sob a ótica da supervalorização do indivíduo. Não trato sobre a realidade pública no cenário conturbado de hoje, com todos os seus problemas. Ignoro fatores outros para traçar uma critica ao concurso como única ferramenta de ingresso.

Virtude, para os Gregos, – não os que estão em Aracaju para jogar a copa do Mundo, os antigos – é uma qualidade relacionada ao talento ou dom natural. Sendo assim, virtuoso era aquele que possuía a graça dos Deuses, que era abençoado por dons.

Inteligência, beleza, força, memória, resistência. Virtudes.

Na antiguidade existia uma hierarquia natural do seres. Alguns nasciam para comandar, outros para obedecer. Nessa lógica era comum, pleno e aceitável a escravidão, por exemplo, afinal indivíduos nascem virtuosos, outros nem tanto.

Tudo permanecia como dantes no quartel de Abrantes até que, alvíssaras, Jesus aparece. Um sujeito alto, magro, com algumas ideias antagônicas, que defendia ideologias um pouco diferentes. Esse sujeito passa a defender algo revolucionário em relação à virtude. Uma quebra de paradigma.

Jesus defendeu que o valor, de um indivíduo, não depende dos dons ou talentos com que a natureza o dotou. Afirma que o valor depende do uso que ele faz da liberdade. Para Jesus, o verdadeiro mérito está nas escolhas, no livre-arbítrio. Valor. Cristo fundamentou as bases da meritocracia.

Virtude só pode ser virtude se empregada para o bem, para a construção. O dom não é, intrinsecamente, virtuoso. Para ser virtude é necessário que seja fruto de vontade do individuo e aplicado para o bem. Valor.

Mas e nos ambientes corporativos? Eis o Busílis.

Nos ambientes corporativos, públicos e privados, como na vida real, a virtude não é, pura e simplesmente, condição sine-qua-non para o desempenho virtuoso. Em miúdos, sua capacidade de fazer não determina sua vontade de fazer. Seu desempenho passa a ser muito mais condicionado a sua vontade do que ao seu conhecimento teórico.

Não estou defendendo que o conhecimento técnico não é deveras necessário para o desempenho da função pública, mas que definidos limites de aceitação a pontuação em uma prova não pode ser, necessariamente entendida, como o mais adequado para o serviço público.

Categoricamente é possível afirmar que o individuo que tirou 187 em uma prova possui capacidade inferior a desempenhar suas atividades que o individuo que tirou 188?

Dessa forma, não consigo acreditar que a aprovação em concurso público condicione mérito para o serviço público. Trata-se de uma inversão de valor a não existência de avaliações subjetivas funcionais. As regras para demissão no serviço público atentam contra a eficiência, que tratem sob a perspectiva da instituição aquilo que, de fato, representa o melhor para o serviço público.

O Presidente Norte Americano, Jimmy Carter, promoveu, no ano de 1978, uma serie de reformas no “Civil Service Reform Act” uma espécie de Lei 8.112/1990 que fundamenta suas regras no conceito de mérito.

Diferente da Lei Brasileira, o código americano estabelece uma série de possibilidades de ascensão ou aproveitamento de funcionários de outras carreiras em novas vagas sob o critério do mérito. Destaque interessante é que a aprovação no concurso não gera, necessariamente, o direito ao ingresso, já que é facultado ao gestor público que escolha, entre os 3 melhores classificados, aquele que mais se adéqua a vaga.

Claro que não acredito que o modelo americano seja o referencial perfeito, mas, nesse aspecto, acredito que eles possuam um sistema muito mais justo que o nosso.

Contudo, a adoção de medidas que efetivem a necessidade de respeito que a população merece, passa por uma superação parcial da nossa síndrome de vira-latas. Não é possível conduzir um cachorro amarrado no poste.

Ao tentar proteger, nossa burocracia falha. A falta de confiança na nossa justiça produz amarras insuperáveis ao gestor público e sacrifica o povo. O resultado desse emaranhado de códigos faz prosperar o corporativismo.

Logo, considero ilógico acreditar na inversão que diz que o interesse do individuo, supera o interesse público. Olhar sob perspectiva da administração pública é buscar a eficiência para a gestão, é contemplar a supremacia do interesse do povo em detrimento ao individuo.

Demitam os improdutivos. Busquemos alternativas que possibilitem que os valorados prosperem. Busquemos o louvor ao mérito, louvor aqueles que, de fato, contribuem para o bem da nossa sofrida população. Não fiquemos reféns de classes e categorias. De nenhuma delas.

Nessa lógica inversa o governo busca existir em meio a divergentes interesses da corporação. A administração pública, que deveria existir para atender aos interesses do povo, serve para suprir os interesses das categorias.

Falta isonomia, sobram reivindicações, os que ganham mais, que tem o estado como refém, possuem munição e oprimem mais, aos demais, aos sem importância, a arraia miúda, sobram os restos e para o povo a esperança, a fé de que um dia a atenção vai ser realmente dada a quem é de direito.

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Tiago Nunes de Oliveira
Jornalista SRTE/SE 1846

O Meio do Mundo

Estamos ficando loucos, só pode. Ódio, intolerância, xenofobia. Fobia. São muitas fobias. São muitos ismos. Pouco meio termo.

Meu dia começou ao som do rádio. Radialista experiente entrevistava uma transexual que, depois de violentada sexualmente, foi violentada fisicamente e moralmente. Violentada por ações e por omissões.

Barbárie. Ações e omissões cotidianas. Não entendo mais nossa sociedade. Procuramos um culpado pela nossa infelicidade sem antes parar para refletir. Somos felizes?

Felicidade. Violentar uma pessoa te transforma em uma pessoa mais feliz? Agredir um ser humano talvez? Será que a culpa é de Dilma?

Todo mundo é ladrão, o governo de esquerda não presta, a culpa é do presidente. Viva a ditadura, a Marcos Feliciano, Jair Messias Bolsanaro. A culpa é do comunismo, da esquerda, dos gays, lesbicas e de toda a rale que está no submundo da sociedade branca, católica, e de origem familiar tradicional.

Mas o mundo mudou! Ou não? O que queremos?

Extremos me enojam. Hoje sabemos que todas as respostas não estão na tendência política, mas no gestor, sabemos que temos responsabilidades e que se cada um ajudar com um pedacinho, podemos mudar o Mundo.

Como? Respeite seus iguais. Por mais desiguais que eles aparentem ser. Pesquise. Vote certo. Fuja de figuras carimbadas que tem domínio oligopólico de votos. Não use argumentos como desperdiçar o voto. Desperdiçar o voto é votar em desonestos que ganham. Não em pessoas boas que “não tem chance de vencer”.

Desperdiçar seu voto é votar por vingança no inimigo de fulano ou no cara que rouba, “mas faz”. Seu voto é o começo.

Claro que a barbárie sempre existiu. O pré-conceito, a aversão pelo diferente. Afinal não somos exatamente o ser mais inofensivo que habita o planeta. Como foi dito, com excelência, por Gabriela Amorim, “Não se engane, ela – a barbárie – não vem de fora, não é coisa estrangeira, extraterrestre: ela é humana, muito humana. Olhe um pouco para nosso passado, só um pouco: escravidão, invasões, colonizações, genocídios, duas guerras mundiais – e poderíamos citar muitas outras coisas igualmente vergonhosas e assustadoras. A barbárie é uma criação humana. Um leão devorando uma presa não é bárbaro. Uma universidade hostilizando uma estudante por ser negra, ou um amontoado de homens de bem caçando índios com armamento pesado, sim.”

Não podemos destratar um ser humano. Não podemos nos eximir da tarefa de fiscalizar, gritar, manifestar exigir. Abaixo a regalias, abaixo a corrupção, abaixo a burocracia e punição justa e efetiva. Mas a culpa é do governo?

Falta de felicidade, de humanidade. Divergir. Talvez seja essa a solução, desconstruir e reformular, reorganizar.

De uma coisa tenho certeza. A razão está com o avatar. E não se esqueça, use filtro solar.

 

Ps.: Grifo meu 😀

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Como Sempre no Brasil

Passados alguns dias, vi um alguem expressar seu contentamento com a aprovação, em primeira votação, do projeto de Lei que concede 18 direitos para empregados domésticos. A euforia provocada por esta “vitória” me fez refletir sobre alguns conceitos pátrios, entre eles o da delegação de deveres. Colegas, que estudaram com menos preocupação a língua portuguesa, falariam algo como pimenta no dedo do outro é refresco, o que é tão evidente no nosso País.

Somos campeões em aprovar leis irrealizáveis como Saúde Publica e Gratuita para todos. Moradia é direito universal e obrigação do Estado, sem falar em tantas outras que provocam tanto fervo no Legislativo, tanto trabalho no Judiciário e tanto desespero no Executivo.

Na saúde vemos, com uma breve pesquisa no Google, que somos os únicos no mundo que garantem acesso universal e gratuito a todos os cidadãos. Todos os demais países já perceberam que isso é algo praticamente impossível as expensas do Estado. O sistema de saúde é uma engrenagem complexa e muito difícil de tratar sob gestão do Estado e o Sistema Único de Saúde brasileiro é um modelo de referência internacional que ninguém sequer imagina implantar.

Fico observando de longe a situação da Europa. Lá a mão de obra é algo caríssimo, o custo de manter um funcionário inviabiliza determinadas prestações de serviços. O custo do funcionário gera a adoção de alternativas radicais como os dispenser, tudo na Europa tem dispenser, desde celular até jornais. No posto de gasolina você tem que abastecer seu próprio carro, não porque eles gostem ou acreditem ser natural, mas porque o custo da mão de obra levou a esse tipo de situação. Foi uma progressão natural.

Hoje a Europa amarga taxas altíssimas de desemprego, existem previsões que a crise permaneça por mais cinco anos. Só na Espanha, a última vez que procurei ver o índice o desemprego superava os 20% e em vários países houve redução de salário (o que no Brasil é inconstitucional). E o Brasil? O Brasil alheio a crise vê os representantes do povo votar em um projeto que torne dificulta a contratação formal de empregados domésticos. Que camuflado de algo excepcional pode, na contra mão da intenção, aumentar a informalidade, comprometer o padrão de vida da classe média e gerar desemprego.

Compreendo a importancia dos direitos, acriditem, eu compreendo. Infelizmente o excesso de regramento compromete o custo Brasil e o nosso custo de vida. O novo direito pode parecer benéfico em um primeiro momento. As pessoas beneficiadas pela Lei compreenderão como vitória, mas o impacto posterior na redução de número de empregos não será bem aceito pela população. A roda vai continuar a girar e o que acontecerá depois fica a critério da sua imaginação.

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Um texto muito interessante e fundamentado

Pessoal, vou compartlhar um texto muito bem fundamentado escrito por Rafael Miranda, falando sobre uma experiencia negativa que ele teve ao desenvolver atividades profissionais no setor público, é uma critica bem fundamentada e importante. Recebido através da lista UNIT-INFO e foi passada pelo colega Daniel Moraes.

Por que abri mão de um cargo de chefia em uma empresa pública

via 8:32 by Rafael Miranda on 4/29/11

Após quase 3 anos atuando como Chefe em uma empresa pública brasileira, decidi entregar o cargo e voltar as minhas origens de desenvolvedor. Foi uma decisão difícil em vários aspectos, que gerou consequências boas e ruins, além de algumas surpresas (não necessariamente positivas). Quero compartilhar aqui o que me levou a tomar esta decisão, como foi o processo, suas implicações e o que eu espero para o futuro.

(O texto ficou bem longo, mas pelo menos estou me sentido muito melhor agora por ter falado tudo o que eu precisava!)

O desafio

A realidade era complexa: um grande sistema de workflow legado em ASP, utilizado por quase 50 mil pessoas (3 mil simultâneas), manipulando milhões de Reais por ano, se integrando a sistemas em plataforma baixa, enviando cerca de 300 mil emails/dia e armazenando 8 Gb de dados por semana (todos estes dados são de hoje, pois não medíamos isto naquele tempo). A equipe chegou a ter 18 pessoas. Somando-se outras pessoas envolvidas, tivemos cerca de 25 pessoas nos projetos.

O cenário era complicado: relação desgastada com a Unidade de Negócio, manutenções corretivas contínuas, infinitas demandas de evoluções, atos legais, atrasos constantes, equipe desmotivada, cansada e não reconhecida. O clima era de total falta de perspectiva que alguma coisa pudesse melhorar, e quase todos da equipe tinham como maior objetivo sair do projeto.

A incubência que recebi foi bem direta: mudar este cenário.

Meu objetivo

Desde o início tive como objetivo claro ter a chance de influenciar positivamente mais pessoas. Pode parecer algo idealista, mas desde a época da faculdade e empregos anteriores, este foi um objetivo pessoal que cultivei. O cenário era, inclusive, ideal para isto. É claro que eu tinha outros objetivos pessoais, como me desenvolver profissionalmente, ter sucesso e ser reconhecido por isto.

O princípio do fim

Após 2 anos de trabalho árduo, conseguimos mudar bastante o cenário. Porém, muito suor foi necessário e muito sangue foi derramado. Comecei a perceber sinais de que estes resultados não estavam compensando o investimento. Trabalho excessivo, pouco reconhecimento, problemas recorrentes, impotência sobre algumas coisas… Tudo isto foi acumulando, e pouco a pouco foi minando minha vontade de continuar.

Política

No governo, a política define as prioridades. Ponto. O problema é que muitas vezes as decisões políticas sobrepõem avaliações técnicas. Imagine você dizer que algo não funciona, provar que algo não funciona e ser “obrigado” a fazer diferente. Tempos depois, quando o que foi feito não funcionou, você é cobrado por isto, tem que explicar e se justificar pelos problemas, e, no final, tem que jogar tudo fora e começar do zero. Ruim não é?

Outra coisa que minou minha força foi saber certas “verdades” sobre os bastidores de uma grande empresa. Ver alguém do alto escalão falar inverdades, de forma extremamente convincente, diante de toda a empresa, não é algo com o que eu consigo dormir tranquilo.

Lentidão

Uma empresa pública, com mais de 10 mil funcionários espalhados pelo Brasil, invariavelmente será lenta e burocrática. Processos engessados, cadeia hierárquica extensa, falhas constantes de comunicação… Tudo isto gera um sentimento de “acorrentamento” terrível. Você quer ser produtivo mas a empresa parece não deixar.E o pior é que ela lhe cobra para ser. É muito frustrante.

Síndrome do Funcionário Público

A maioria esmagadora dos que passam em concursos públicos têm o sentimento de “dever cumprido”. Acreditam que chegaram ao ápice da carreira, e que não precisam mais se desenvolver. Para piorar, normalmente as empresas públicas são trampolins para os “concursos melhores”, ou seja, para serem estatutários, com salários maiores. Isto faz com que as pessoas também não se importem com o que fazem, pois provavelmente elas não estarão mais lá em algum momento no futuro. E a “áurea de estabilidade” que existe incentiva ainda mais tudo isto.

Gosto muito de classificar os bons profissionais como “aqueles que se importam com o que fazem”. Infelizmente, a realidade que vivi (e ainda vivo), é de muitas pessoas que estão simplesmente tocando suas vidas, cumprindo sua rotina, batendo o seu ponto: se o projeto der certo, deu. Se não der, não deu. Paciência.

Uma situação que me marcou foi quando comecei a tentar implantar métodos ágeis no projeto. Quando fui investigando os perfis, em busca de pessoas que se identificassem com os princípios do ágil, escutei: “Eu não tenho que gostar disto não. É o processo da empresa. O que ela falar para eu fazer, eu vou fazer”. Quando sugeri a leitura de um material de referência inicial (Scrum Direto das Trincheiras, que eu mesmo imprimi para cada um), ouvi: “Que horas vou fazer isto? Não posso ler em casa, só no horário de trabalho, já que é algo para o trabalho.”

Boas intenções

Esta “cultura do não aprendizado contínuo” atinge a grande maioria. Infelizmente, isto também inclui os chefes. Além de lutar para criar mecanismo para favorecer e incentivar o aprendizado e auto-desenvolvimento da equipe, poucos eram os outros chefes se auto-desenvolvendo. Discussões sem embasamento, pouco conhecimento sobre conceitos e tentativas “aleatórias” para se concretizar ações eram uma constante. Ao menos existia uma genuína boa intenção do corpo gerencial em relação aos problemas. Todos relatavam frustrações e indignações semelhantes, e queriam realmente melhorar o cenário geral: minimizar a Síndrome do Funcionário Público, adotar medidas para “burlar” a burocracia e enfrentar as decisões políticas. Porém, querer é diferente de fazer. Além disto, se você não dá o exemplo, como exigir algo de alguém?

Com o passar do tempo, ações inócuas eram tomadas, todos fingiam que acreditavam que elas iriam funcionar, e a vida continuava. Viver assim por muito tempo, não dá.

Esmagamento

Outra questão extremamente frustrante é que ser a média gerência significa que você é pressionado pelos seus subordinados, e pressionado pela alta gerência. Com isto, você é esmagado, pois não consegue satisfazer nem um nem outro. Por mais que você defenda a equipe, muitos nunca estarão satisfeitos e lhe “culparão” por isto dizendo que “você só defende a empresa”. Ao mesmo tempo, a alta direção lhe cobra por resultados, e lhe diz que “você só defende os empregados”. Para os chefes que se importam com o que fazem, é uma situação muito triste e uma posição muito ruim de se estar.

Meu tempo

Outro fator que meu motivou a entregar o cargo foi o mal uso do meu tempo. Tentar reverter todo este cenário geral e ainda dar conta dos projetos e do cenário local estavam consumindo muito do meu tempo. Eu estava trabalhando tantas horas-extras, envolvido em tantos problemas, que eu não conseguia estudar o que precisava para ter mais condições de resolver os problemas. Era um ciclo vicioso interminável. Além disto, como eu poderia influenciar positivamente pessoas, sem conseguir dar o exemplo?

Somando-se a todas estas coisas, uma certa inquietação vinha me atingindo. Inquietação quanto ao “trabalhar para os outros”, seguir definições com as quais eu não concordava, utilizar 8h ou mais do meu dia para fazer algo que eu não estava curtindo… Esta inquietação me levou a pesquisar sobre empreendedorismo, lean startups, bootstrapping, etc. Na medida em que mais eu entrava no assunto, mais eu entendia o que era esta inquietação e quais eram algumas possíveis soluções para ela.

Experiências

Sempre defendi que as pessoas devem ter a chance de passar por diversas experiências diferentes. Um profissional que passa a vida toda fazendo a mesma coisa, ou desempenhando o mesmo papel, nunca será um profissional experiente. A melhor forma de aprender é praticando, e praticar implica em errar. Faz parte. O problema é que os gestores não querem arcar com os custos do erro, e preferem se manter no mais seguro, mesmo que isto implique em criar profissionais especialistas, ou com pouca visão do todo, ou na carência de substitutos. Sendo assim, meu chefe precisava estar fazendo isto, pelo bem de todos os outros projetos.

Reações

Confesso que fiquei surpreso com algumas reações quando finalmente tomei a decisão. Por exemplo, pessoas que diziam que eu deveria deixar o cargo pois o nível de stress era muito alto, foram contra a minha saída por causa dos motivos. Imagine, sair por estar fisicamente cansado é válido, mas sair por não concordar com os direcionamentos gerenciais e por não me considerar mais “alinhado” com a visão gerencial atual não é válido, por ser um motivo “idealista”.  Ser chamado de imaturo foi a menor das “classificações” que recebi.

Por fim, pessoas que eram supostos colegas de trabalho mais próximos, agora não falam mais comigo. Não tem como não se surpreender…

O presente

Depois de quase 8 anos só trabalhando com gestão de projetos tradicionais, me distanciei bastante da implementação. Com isto, fiquei muiiiiito enferrujado, mas as coisas estão andando bem. Atualmente estou trabalhando no desenvolvimento da re-implementação deste mesmo sistema. Quando ele for implantado, seu volume de uso atual será praticamente duplicadas (irá para 100 mil usuários – 6 mil simultâneos -, 600 mil emails/dia, etc). Estamos fazendo em Java com o framework Demoiselle (JSF e Hibernate) e usando o jBPM com engine de workflow. O projeto está interessante.

Porém, agora tenho tempo para estudar o que realmente quero: Rails, Node.js e Lua (para desenvolvimento de jogos). Estou lendo muitos livros, fazendo coisas legais (como ajudar na realização do evento Maré de Agilidade e ainda este ano do LinguÁgil) e investindo na minha carreira e no meu futuro. Não estou mais estressado, brigando com minha esposa e filho, sem tempo para a família… Não podia estar mais feliz!

O futuro

Para a felicidade pessoal e profissional completa, serei dono do meu próprio negócio, e irei mudar o mundo! O ponto de apoio eu já tenho, agora estou construindo a alavanca

Atualização (05/05/2011)

  • Fiz no texto diversas generalizações, algumas por considerar que “a maioria” é muito significativa, já outras para não expor nomes. Desta forma, meu objetivo não foi realizar uma crítica a todo o serviço público brasileiro. Meu relato reflete a minha vivência, as minhas experiências, as pessoas com as quais convivi, ou seja, o meu ambiente de trabalho. Porém, é claro, existe um senso comum acerca de muito do que falei, em função dos inúmeros relatos parecidos com o meu, que convergem para um reforço à crítica ao serviço público em geral.
  • Trabalhei e trabalho com alguns excelentes colegas e profissionais, dos quais tenho muito orgulho e prazer em trabalhar. São pessoas que têm opiniões semelhantes (não necessariamente todas ou exatamente as mesmas), que, assim como eu, se indignam, que (eventualmente) enfrentam, que (eventualmente) tomam partido, que (eventualmente) não se omitem. Acima de tudo, são pessoas que se importam. Alguns são de empresas públicas, ou estatutários, outros de empresas privadas, e outros são empreendedores.
  • Como o Saulo muito bem pontuou, vários dos elementos sobre os quais falei no texto estão mais ligados a questões de postura e atitude (que independem do tipo de empresa, cargo ou área em que você está), do que a um estereótipo de funcionário/funcionalismo público.
  • Sobre a Cultura da qual falei: ela não se aplica somente ao ambiente público. Ela pode estar em uma empresa/órgão público, empresa privada ou mesmo em uma startup! Novamente, é uma questão de postura das pessoas (que fazem a cultura) somada ao direcionamento da empresa. Porém, se você está em um ambiente em que a cultura é ruim e enraizada (ou seja, difícil de mudar/adaptar/evoluir/direcionar), existem 4 opções: 1) sair da empresa, 2) ser “contaminado”, 3) ser muito persistente e paciente ou 4)  como o Rodrigo advertiu, ter um infarto! 🙂