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Archive for the ‘Assessoria de Comunicação’ Category

Valorizar para moralizar

Dante Alighieri, em um de seus Poemas disse: “Quem és tu que queres julgar, com vista que só alcança um palmo, coisas que estão a mil”. Essa citação me acompanha. Sempre que me meto a escrever, ou pensar, me vem à possibilidade de que minha visão seja apenas parcial, incompleta, insuficiente.

Entretanto acredito que visões incompletas, permitem uma análise detalhada do parcial. Permitem percepção das nuances. Dessa forma, vou ousar contribuir para um debate que promete, em breve, causar certa polemica. Antecipo-me, pois como bem disse nosso já citado Dante “sou um que escreve apenas quando me fala o amor e tenta relatar fielmente o que ele dita dentro de mim”.

Sem mais delongas, entremos na pauta: Regulação da mídia. Contextualizando: o governo pretende apresentar uma proposta de regulamentação da mídia, regulamentação econômica, não de conteúdo. Sou fã da coragem da Presidenta, esse tema é complexo, a mídia é um “poder” centralizado, historicamente, em algumas famílias. Fato objetivo, que se reflete em todo o posicionamento de uma classe média, dita esclarecida.

Acredito que é desnecessário apregoar o poder dos veículos, inclusive poder de incitar o ódio, de transmitir sensações irreais ou causar um efeito análogo ao que estudamos como efeito de massa, em teorias da comunicação. Posso tentar exemplificar, citando, por exemplo, a confiança em uma economia em colapso (como aconteceu nos Estados Unidos) ou a desestabilização de uma economia solida (como quase ocorreu no Brasil). Tudo recheado de disse me disse e dados de mentira. Não vou entrar no mérito, me dá preguiça.

Dessa forma, se torna factual o poder dos veículos, assim como é indiscutível veículos são concessões públicas (Rádio e TV, principalmente). O governo pode e deve criar mecanismos que torne a distribuição das concessões mais democrática. O poder da mídia faz com que a opinião de poucos seja transmitida, por osmose, a sociedade e contamina com uma verdade aquilo que deveria ser objeto de uma pluralidade de razões e sentimentos. “Não pode haver uma totalidade da comunicação. Como efeito, a comunicação seria a verdade se ela fosse total” Paul Ricoer.

O efeito da totalidade da comunicação resulta no que predisse Malcom X “os meios de comunicação te farão amar o opressor e odiar o oprimido”. Claro que estamos tratando de extremos, de conseqüências de um agravamento dos quadros atuais, e que a internet contribui de forma gigantesca para uma democratização da comunicação. Fatores que não tornam desnecessário uma busca por multiplicidade de veículos e opiniões.

É certo que uma redistribuição das freqüências, resultaria em maior variedade de opções. Ajudaria bastante em um processo de reinterpretar os novos paradigmas. Ajudaria a trazer mais porosidade ao sistema. Entretanto, entendo que esse caminho é longo e cheio de percalços, que os resultados não são garantidos e que é possível adotar algumas medidas práticas que aliadas a um caminho mais longo, possam trazer uma resposta breve a sociedade.

Na minha singela opinião uma das primeiras ações que deveria ser criteriosamente analisadas é a criação de um conselho de classe para jornalistas. Um conselho de classe seria valorizar e regulamentar a profissão. Não estou entrando no nhem, nhem, nhem do diploma. Estou afirmando que é necessária a valorização de um profissional ético e independente, não de um refém dos meios.

Poços comandam os veículos, mas os jornalistas são muitos e plurais. Enquanto muitos defendem golpes reacionários e a direita neo liberal outros manifestam apoio a um projeto de governo social. Muitos comunicadores se rebelaram e se manifestaram contra à campanha desleal empregada contra a Presidenta Dilma pelos meios de comunicação. Jornalistas respeitáveis não baixaram a cabeça e foram, inclusive, demitidos de veículos por divergências ideológicas. Jornalistas se empenharam em minimizar o impacto de denúncias fraudulentas ou tentaram promover a verdade sob os cortes cruéis dos editores.

A falta de um conselho, de fiscalização, e de responsabilização, do profissional resulta na opressão pelo meio. Certamente um órgão que cobre do jornalista uma postura independente e uma responsabilização dele pelos seus atos e por infrações ao código de ética iria ser, por si só, um fator de inibição para cobranças abusivas e impróprias dos veículos. A existência de um controle sobre o tipo do profissional que o meio contrata, impedindo e punido a contratação de profissionais sem registro, moralizaria o mercado e resultaria em menor rotatividade.

Um órgão de classe permitiria que os comunicadores a possibilidade de denunciar posturas antiéticas de veículos. Concederia ao profissional um suporte institucional, a certeza de estar sendo amparado e protegido contra abusos. Mais que isso um conselho daria animo para os profissionais, um reconhecimento que há muito esperam. O Jornalista é um órfão, submete-se ao meio em troca dos seus proventos e não obtém respaldo do sistema, sua profissão não é protegida pela necessidade de diploma, de prova ou de registro. Não existem muitas opções a não ser abraçar a linha editorial e torcer para que tudo de certo.

É certo que a resposta não é simples, ou que ações individuais sejam suficientes para mudar um complexo sistema, mas acredito que a valorização não é algo que seja apenas inerente a um diploma, mas a um respeito institucional, que permita, de fato que o jornalista seja o profissional que a sociedade almeja.

Tiago Nunes de Oliveira
Jornalista SRTE/SE 1846

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Começando a pensar sobre redes sociais

Vamos começar falando de planejamento. Ok, ok, você não entendeu nada. Se o título trata de redes sociais, por que cargas d´água está sendo tratado, aqui, o tema planejamento? Ora, a utilização de redes sociais é deveras importante para a empresa. Na verdade é até imprescindível, mas de nada serve sem planejamento. Sem objetivos estabelecidos e orientados para um determinado fim, a sua experiência nas redes sociais será fadada ao fracasso, ou, se não fracassar, não atingirá os índices e expectativas da sua empresa e das suas campanhas.

Mais, antes mesmo de sua assessoria se aventurar no universo das redes sociais, ela deve se estabelecer como um setor útil e produtivo. É necessário que se perceba o que está sendo pedido pela empresa e quais as ferramentas que efetivamente são necessárias para que se possam atingir as metas e anseios de todos.

Lembre-se que a assessoria deve servir toda a instituição, não é uma assessoria do presidente, é da instituição, ou seja: TODOS os colaboradores. Um outro detalhe que vou ousar afirmar aqui, e que espero ser compreendido pelos colegas de profissão, é que, por a assessoria grande parte das vezes ser chefiada por um jornalista, ela tende a se preocupar demais com a confecção de notícias a serem destinadas para veículos próprios de pouca efetividade.

Exemplos para isso são os mais diversos e vão de jornais próprios, revistas próprias a iniciativas extremamente válidas de emissoras de TV e Rádio próprias. Todo veículo deve ter sua implantação criteriosamente avaliada e discutida, pois não é interessante você fazer um investimento gigantesco na aquisição de equipamentos de filmagem para por suas peças na televisão de uma recepção com quase nenhuma rotatividade.

Sou muito resistente a utilização de meios cuja dificuldade em mensurar o resultado e a abrangência seja muito evidente. Em uma opinião extremamente particular, acredito que, sempre que possível, devemos optar por meios que possibilitem uma contagem do número de visualizações. Um exemplo seria a substituição de periódicos impressos por periódicos em formato eletrônico disponíveis na intranet ou no site da instituição.

Caso se opte pelo envio do periódico eletrônico por email, sugiro que na correspondência seja enviado o link para o arquivo, a fim de não gerar um número absurdo de arquivos repetidos no servidor de email. Mas essas são opiniões muito pessoais e cuja aplicabilidade, talvez, seja muito difícil na realidade do leitor.

Todas as preocupações, pontos positivos, negativos, empecilhos tecnológicos e etc. devem ser expostos, tratados e discutidos durante um processo de planejamento. Quando você se propõe a fazer um efetivo planejamento do setor, vários aspectos devem ser considerados com intuito de atender uma missão e os consequentes objetivos do setor.

Quando falamos sobre objetivos do setor, quero lembrar que estes devem ser reais, alinhados às necessidades de fato da sua empresa. Não é porque sou jornalista televisivo que ao assumir uma assessoria vou comprar uma aparelhagem caríssima para produzir filmes que irão ser vistos apenas na televisão da recepção do diretor presidente. Ou nem lá.

Por isso que o ingresso da sua empresa nas redes sociais deve ser precedido de cauteloso planejamento, com objetivos definidos e atribuições delegadas. Tudo deve ser feito com cautela sob o risco de ser mal interpretado e as coisas derem errado, ou pior, se tornarem catastróficas.

 

Tiago Nunes de Oliveira
SRTE/SE 1846

 

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Entenda seu público, o novo e-cidadão – parte 2

O que vocês diriam se há 10 anos atrás eu dissesse que uma garota de apenas 13 anos iria criar um veículo em que postaria críticas sobre a escola em que estuda? Que esse veículo seria acompanhado por mais de quinhentas mil pessoas? Que essa pequena garotinha iria ter seu veículo acompanhado pelo presidente dos Estados Unidos da América e que, a partir daí, sua vida “mudaria”, sendo que ela continuaria estudando na mesma escola e teria a mesma vida que antes, com algumas mudanças, obviamente, mas igual na essência.

Como seria visto há 20 anos atrás se eu dissesse que a nova palavra de ordem seria transparência, que todos têm o direito a informação que, sendo solicitada, deve ser fornecida pelos órgãos governamentais. Que seria possível obter quase todas as certidões públicas pela internet – depois de explicar o que é internet – e que reclamações em redes sociais como twitter ou facebook gerariam respostas mais rápidas que ações impetradas nos organismos oficiais?

Quem imaginaria um tempo em que a população brasileira fosse capaz de uma mobilização nacional a fim de provocar nossos governantes a tomar ações que priorizem a vontade popular em detrimento dos seus interesses pessoais/partidário. Manifestações sem partido e sem liderança e principalmente, afrontando os interesses dos veículos de comunicação.

Estamos nesse novo tempo. Nosso novo cidadão, ou melhor, e-cidadão, é uma realidade. Somos unidos através de sistemas sociais complexos e com funcionalidades específicas que tornam nossas reclamações poderosas. O acesso aos portais do governo, que facilitam nossa vida e a torna menos burocrática, tornam- nos mais conscientes dos nossos direitos, somos mais preocupados com o meio ambiente, embora nossos governantes não sejam.

Para exemplificar a revista EXAME em uma reportagem cujo título era “Um rival para o PROCON” classifica o portal “Reclame Aqui” como uma ferramenta, por muitas vezes, mais efetiva que o PROCON. A revista INFO, em outra reportagem cujo título era “Twitter é 8 mil vezes mais eficaz que o PROCON”, em outubro de 2011, trouxe a seguinte tabela, demonstrando o tempo de resposta e resolução de problemas denunciados através dos seguintes mecanismos:

MEIO TEMPO DE RESPOSTA TEMO DE RESOLUÇÃO
TWITTER ENTRE 5 MIN E 2 HORAS ATÉ 24H
FACEBOOK ENTRE 30 MIN E 6 HORAS ATÉ 24H
CHAT ATÉ 5 DIAS UTEIS MAIS DE 5 DIAS
0800 (SAC) ATÉ 5 DIAS UTEIS MAIS DE 5 DIAS
PROCON MAIS DE 1 MÊS N/D

Nativos digitais, somos mais inclinados a reclamar, procuramos o encantamento nas experiências de consumo, não apenas experiências de compra, mas de utilização de serviços públicos, por exemplo. Estamos carentes, precisamos de atenção e somos mais infiéis.

Estamos hoje desfrutando de uma nova realidade e precisamos nos redescobrir e redescobrir a melhor forma de nos comunicarmos e atendermos o próximo, pois como estamos em rede, um instante é tempo suficiente para que nossas ações sejam conhecidas por todo o mundo. Neste novo contexto precisamos ser mais que meros comunicadores, temos que ser gestores capazes de entender e alinhar a estratégia do setor às necessidades reais da empresa. Para termos sucesso nessa jornada existem diversas ferramentas e metodologias, como veremos em outras oportunidades.

Tiago Nunes de Oliveira
Jornalista SRTE/SE 1846

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Entenda seu público, o novo e-cidadão – parte 1

Frequentemente vejo reportagens abordando as diferenças entre as gerações. Essas comparações de personalidade já viraram teses científicas, estudam de forma profunda e denominada, através de nomenclaturas específicas. Das várias teorias que vi a respeito, a que aparentemente mais se destaca é a que classifica uma gama de características psicológicas às pessoas de acordo com a sua data de nascimento, criando algo denominado Geração X, Y, Z, XY e Alfa. Seria, talvez, algo próximo aos signos, talvez mais, ou menos, preciso.

Confesso que tenho uma opinião muito sólida. Acredito que as personalidades, dependem de cultura, educação, amizades, exposição a tecnologias e uma gigantesca infinidade de variáveis, como já disse outras vezes, que torna a previsibilidade do comportamento algo tão preciso quanto os cálculos matemáticos que garantem um resultado da mega-sena. Falcatruas não contam.

Segundo essa teoria a geração X, nascida entre as décadas de 60 e 80, seria uma geração muito influenciada por uma cultura tradicionalista e com muito controle sobre a exposição de emoções e opiniões, essa geração costuma ser mais contida nos comentários e nos achismos. Mais conformada não costuma, genericamente falando, claro, criar “problemas”.

A Geração Y é mais inquieta, comunicativa e carente, nascidos na década de 90, ou seja, a partir do ano de 1981, até o ano 2000. Estamos, inseridos em um limiar entre o tradicional e o tecnológico. Costumam reclamar mais e apresentam uma necessidade maior de reconhecimento hierárquico. A Geração XY seria, ou é, composta de pessoas nascidas na geração X que possuem características de personalidade muito próximas da geração Y.

As gerações Z e Alfa também têm algumas características intrínsecas ao crescimento e desenvolvimento em um mundo conectado, embora os livros já tragam uma previsibilidade das características da personalidade dessas próximas gerações vou preferir manter esse assunto guardado para uma próxima oportunidade.

Percebam que a ciência teoriza as mudanças comportamentais das gerações considerando fatos históricos, como por exemplo, tempos de guerra, ou de paz, a repressão da ditadura militar ou de governos socialistas, a liberdade de imprensa e, por incrível que pareça, a conectividade e as redes sociais. Trata-se de um fato as significativas revoluções que a internet trouxe para o mundo e acho impressionante que alguns, poucos, profissionais insistam em continuar alheios a esse fato.

Nas teorias da comunicação também ocorreram mudanças. Em 2002 ví o primeiro livro que tratava de marketing viral, algo que não era palpável na época e que, mesmo conhecendo a internet, não me revelava nenhum tipo de oportunidade imediata. Foi preciso, muitos anos depois, ver o sucesso feito por Jeremias Muito Louco para entender, ou visualizar, na prática o que dizia o autor.

Além de mudar as pessoas, a dinâmica das redes sociais confundem as teorias da comunicação. Não fica clara, pra mim, a fronteira dos comportamentos de, por exemplo, massa e público. Todas as categorias se misturam e é possível distinguir características mistas nos comportamentos nas redes sociais. Não acredito que definições genéricas e simplistas como estabelecer que o Facebook é uma rede de massa, e o linkedin de público é uma verdade absoluta, na verdade não tenho muita certeza que, em comunicação, assim como na vida, existam verdades absolutas.

Mais próximo da realidade das assessorias, sou crítico ao determinismo de que um gestor da assessoria de comunicação tenha que ser jornalista. Os tempos são outros, os profissionais também. A assessoria de comunicação, principalmente se inserida nas redes socias, tem que aprender a se comunicar de forma visual, atrativa e direta. Um jornalista é um profissional gabaritado e habilitado para efetivar esse tipo de comunicação? Sim. Mas será que ele é o único capaz? Será que outros cursos não trabalham características distintas, mas também necessárias para o sucesso real e mensurável desse tipo de comunicação?

Não existem verdades, ainda, que possibilitem uma resposta efetiva para esses questionamentos. Dessa forma, acredito que o melhor profissional para a função é aquele que possui um perfil de gestão e produz resultados, alheio a questões de reserva de mercado, que também acho importante, mas que não auxiliam em nada a efetivação dos resultados pretendidos por nossos clientes. Mas isso, todos já sabem.

 

Tiago Nunes de Oliveira
Jornalista SRTE/SE 1846

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Assessores. Vou contar um segredo. Mas não contem para ninguém

A IMPRENSA FAZ PARTE DA SOCIEDADE

Vou repetir, digo repetir, a imprensa faz parte da sociedade. Sério. A imprensa é um ser social e, como um ser social, está repleta de preconceitos, interesses, opiniões, emoções, lados e posturas. Pode parecer que essa informação é uma afronta à ética jornalística, ou que, com essa afirmação, quero imputar uma conotação negativa para a imprensa, mas não, estou apenas apresentando um fato.

Vejamos:

1º A imprensa é composta por pessoas. Pessoas que foram expostas a um complexo emaranhado de educação e cultura que serviram como base para a formação de sua personalidade. Essa complexa formação se torna um código oculto; uma Lei exclusiva e particular a cada profissional no desempenho de suas atribuições.

2º A imprensa tem que sobreviver. Sério, os veículos têm contas a pagar e, para isso, precisam vender espaços publicitários e exemplares. Infelizmente, eles não vivem em um mundo paralelo, separado do capitalismo e da sociedade. Portanto, não podemos, em sã consciência, aceitar de forma unilateral e sem ponderações o que é dito por um veículo específico. Até porque, eles podem estar dizendo apenas aquilo que você quer ouvir. Também não podemos, de forma alguma, deixar de lado nosso senso crítico na interpretação dos fatos noticiados que chegam até nós através dos mais variados meios de comunicação. Peço desculpas por decepcionar vocês. É difícil compartilhar um segredo há tantos séculos escondido. Sei que estão se sentindo como uma criança de três anos que descobre que o Papai Noel não existe. Mas, se vocês não ficaram tão decepcionados a ponto de estarem céticos em relação ao que foi afirmado, peço que continuem lendo esse post e garanto que vão entender o motivo dessa constatação.

Pensando melhor vou contar logo o motivo, pois espero que assim não haja uma evasão muito grande em relação esse pequeno monólogo.

O motivo é: Você é, ou pretende ser, um assessor de comunicação. Resguardando todas as questões éticas intrínsecas à profissão; questões que você não pode abdicar, pois servem como um código de conduta moral no desempenho da função e que, se não percebidas, vão te diminuir profissionalmente. Você tem que zelar pelo seu cliente. Você foi contratado para produzir um resultado que, preferencialmente, seja mensurável por parte do seu empregador. Você é a voz da instituição perante a sociedade. Isso quer dizer que, se não um porta voz direto, você é responsável por viabilizar a transmissão da mensagem do seu cliente para o público. Além disso, você é responsável, ou co-responsável, pela forma como o público entende essa mensagem e, para isso, você precisa de uma relação muito próxima e de interesse mútuo com a imprensa. É aqui que o conflito pode surgir.

Nem sempre, principalmente se você é representante do poder público, a imprensa tem interesse na sua manifestação. Existem notícias mais interessantes, aspectos que, sobre a ótica do meio, são mais relevantes, ou apenas uma tendência política diversa. Essas e muitas outras variáveis podem fazer com que seu trabalho não obtenha a repercussão justa ou necessária –  segundo o entendimento do seu contratante. A partir daí, defendo veementemente a necessidade do desenvolvimento de mídias próprias ou parceiras muito próximas com veículos que conversem diretamente com seu público de interesse – ou que forneçam argumentos para que os stakeholders, formadores de opinião que estão ideologicamente afinados com o seu posicionamento, possam encampar, em igualdade de armas, a defesa da sua instituição.

Para que essa estratégia possa funcionar, o Assessor passa a ter que contar com mais habilidades que as usuais de clipping e release (generalizando). Ele passa a ter que assumir uma postura de liderança e planejamento. Os objetivos de comunicação da instituição devem ser claros e, antes de dar início à brincadeira, deve-se conhecer o terreno onde se está entrando. A Assessoria de Comunicação não é mais uma pequena canoa navegando à deriva no mar da opinião pública, mas um contratorpedeiro municiado, que possui uma rota estabelecida e objetivos traçados.

A partir daí, poderemos prosseguir.

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Mudança de paradigma?

Release, clipping. Clipping, clipping, release. Release, release, release e clipping. Mas afinal, qual é o papel do assessor de comunicação nesse novo paradigma?

Gestão. Mudança de focos e processos alteram as percepções que os diversos setores possuem. Antes, um setor marginalizado, nessa nova estrutura torna-se figura central dos procedimentos. Afinal que nunca culpou a TI pelo atraso?

A culpa não é deles. Bem, pelo menos não completamente. Afinal os profissionais da área também comentem seus pecados. Imprimem dificuldades extremamente superáveis em nome de uma “pseudo” segurança, que, honestamente, não é e nunca vai ser plena. Até porque os seus problemas começam com a nossa conduta.

Gestão, processos, procedimentos. Mais que o legado de equipamentos e sistemas a TI forneceu um novo prisma. Um prisma onde a necessidade de processos e procedimentos, anteriormente já defendidos pelos administradores, passa a ser de efetiva importância para a empresa.

Nesse novo contexto de excelência gerencial, de efervescência, toda a estrutura organizacional da empresa passa por uma nova organização, por uma reordenação de valores e de fundamentos. Nesse contexto, devemos reavaliar o nosso papel como comunicadores.

Comunicadores? As exigências do novo modelo de administração exigem a implantação de conceitos, técnicas e ferramentas de gestão no nosso meio. O novo modelo cobra o efetivo planejamento estratégico do setor. Cobra a identificação da nossa, missão, visão, valores. Cobra que a comunicação busque formas de agregar valor ao objetivo da empresa, buscando adequar sua missão, específica do setor, a um conceito global alinhado e entrelaçado as necessidades da corporação.

Papel. Qual é o nosso papel, efetivo? Como mensurar o valor do seu trabalho para e empresa? Números. Sabe-se quanto vale um vendedor, um operário, um gerente. Mas qual é o valor do comunicador? Repito a pergunta: Como mensurar?

Conhecimento. Todo o conhecimento necessário para a obtenção das perguntas feitas já existe. Já está disponível. O Conhecimento de gestão é resultante de décadas de teorias administrativas e de uma evolução forçada pela necessidade. Pela competitividade do nosso mercado. Competitividade.

Precisamos conhecer e dominar a utilização e a aplicação de ferramentas como administração de projetos, analise SWOT, BPM, Balanced Scorecard e diversas outras estão a nossa disposição. Precisamos abrir nossos horizontes perceber a real necessidade de nossos empregadores e como podemos contribuir para minimizar os desafios da gestão.

Competitividade e conhecimento. Duas palavrinhas básicas que se enlaçam e traçam uma tônica que tende a alcançar, muito em breve, nosso mercado de assessoria. Quem sabe, trocando experiências nesse blog, nos grupos de whats app e nas redes sociais, não ficamos mais preparados para esse presente que já espreita.