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Meu amigo caloteiro

Conta-se, e digo conta-se porque não presenciei, mas ouvi de muitas fontes extremamente confiáveis, que meu Avô, Gervásio, apertou a mão do assassino do meu Tio e lhe perdoou. Acredito que este é um dos fatos que me marcaram quando, adolescente, cheio de amarguras e dúvidas (estas que persistem até hoje). Eu era, naquela época, pouco parcimonioso, sóbrio, em relação a tudo que sinto.

Avança-se o tempo, a idade, as frustrações, as dúvidas, as responsabilidades. Torna-se adulto. Conhece-se um pouco mais da natureza. Elege-se um caminho.

No meu caso, confesso, um caminho rebelde, sem igreja, sem grandes laços doutrinários. Deixo de acreditar em mais coisas do que eu acredito realmente, mas, entre tudo que não acredito, tenho uma certeza…

Seguindo o exemplo do meu Avô Gervásio, eu não acredito no ódio.

Não acredito em vencer sobrepujando o próximo, não acredito em socapas, sorrelfas, artimanhas. Eu acredito na palavra dada. Acredito em cada um fazer sua parte, acredito no Beija-Flor.

Tinha essa certeza, mas a vida é caprichosa. Lhe testa, abusa, tensiona, tenciona. A vida lhe põe a prova, impõe as provas e para ajudar a vida, eis que surge o amigo caloteiro. Aquele que tem estado próximo, que demonstra parceria, que lhe acompanha em algumas odisséia, que lhe cativa, lhe contrata e lhe dá o calote.

Ah! O amigo caloteiro, o telefone furtado, o pneu furado, o político ladrão. Inicialmente, nos preenche um sentimento de perda, um amargor que antecede os demais sentimentos. Sente-se injustiçado, amargurado, usado e por fim … O ódio.

O ódio é bicho arisco, lhe toma a cabeça, lhe tira a razão. Ele é o olho por olho, o busílis, é o momento que se passa a desejar que tudo de mau aconteça com aquela pessoa que lhe furtou, que abusou de sua confiança.

É nesse momento que você mostra quem é. Levanta a cabeça, impõe altivez.

Quando o ódio desponta, você para. Respira fundo, organiza as idéias. Perdoa! Quando o ódio aparece você percebe que não vale a pena, que a partir dali, se insistir, você só tem a perder. Perder algo que transcende o valor financeiro, transcende o patrimônio, pois é essência, é sentimento, é tudo aquilo que representa a pessoa que você é.

Não se perde tempo com o que não lhe faz bem!

E por fim, aprende-se. Na vida, tudo é lição.

 

Tiago Nunes de Oliveira
Autor do livro Utópica – Um Mundo sem Leis

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